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Autor

ProFaM

Data

26 fevereiro, 2025

A técnica envolve a remoção e congelamento de tecido ovariano para preservar a fertilidade quando há risco de comprometimento da função ovariana

A criopreservação do tecido ovariano é uma técnica de preservação da fertilidade recomendada para mulheres que enfrentam condições de saúde que podem comprometer a função reprodutiva, como a endometriose, ou que necessitam de tratamentos oncológicos agressivos, como quimioterapia e radioterapia. Esse procedimento proporciona a possibilidade de realizar o sonho de ter filhos no futuro, quando essas doenças estiverem controladas.

Em que casos a criopreservação do tecido ovariano é indicada?

A criopreservação do tecido ovariano é indicada principalmente para mulheres que enfrentam condições, benignas ou malignas, que podem comprometer a fertilidade, seja por doenças ou por tratamentos médicos que afetam a função ovariana. As principais situações em que essa técnica é recomendada incluem:

  • Tumores não ginecológicos que exigem radioterapia ou quimioterapia;
  • Tumores ginecológicos, como o câncer de colo do útero;
  • Câncer de mama;
  • Doenças benignas, como tumores ovarianos benignos e endometriose;
  • Risco de menopausa precoce, como na síndrome de Turner, que pode resultar em falência ovariana prematura;
  • Transplante de medula óssea, incluindo casos de doenças autoimunes que não respondem aos medicamentos imunossupressores e necessitam dessa terapia.

Como a criopreservação do tecido ovariano funciona?

A criopreservação do tecido ovariano pode ser feita tanto em mulheres adultas quanto em jovens que ainda não atingiram a puberdade. O processo começa com a remoção de fragmentos do ovário por meio de laparoscopia, uma cirurgia minimamente invasiva. Nessa técnica, um tubo flexível é inserido por uma pequena incisão próximo ao umbigo, permitindo ao médico observar a pelve e retirar o tecido ovariano.

Em seguida, o tecido é cortado em pequenas tiras, que são congeladas e armazenadas a uma temperatura de -196°C, garantindo a preservação por tempo indeterminado. No momento adequado, o tecido pode ser descongelado e reimplantado no corpo da mulher, geralmente na região abdominal ou próximo às trompas de falópio. O reimplante é feito com o objetivo de restaurar as funções ovarianas, como a produção de hormônios e óvulos.

Como se preparar para o procedimento?

A preparação para a criopreservação do tecido ovariano tem início com uma consulta detalhada com um especialista em medicina reprodutiva e oncologia. Durante essa consulta, o médico avalia a saúde geral da paciente, bem como a sua função ovariana, para garantir que o procedimento seja adequado. Além disso, alguns exames podem ser solicitados, como de contagem de folículos antrais (CFA) e de dosagem do hormônio antimülleriano (HAM), que fornecem informações sobre a quantidade e a qualidade dos óvulos.

Além disso, o médico oferece uma explicação detalhada sobre o procedimento, garantindo que a paciente compreenda todas as etapas do processo. Diferentemente de outras técnicas de preservação da fertilidade, como a criopreservação de óvulos, a criopreservação do tecido ovariano não exige protocolos adicionais específicos, como o estímulo ovariano com estrogênio, o que torna o processo mais direto e viável para mulheres que precisam iniciar tratamentos, como quimioterapia ou radioterapia, de forma imediata.

Quais as vantagens da criopreservação do tecido ovariano?

A criopreservação do tecido ovariano oferece várias vantagens em relação a outras técnicas de preservação da fertilidade, como o congelamento de óvulos ou embriões. Uma das principais vantagens é a possibilidade de congelar um número significativamente maior de óvulos imaturos, em comparação com as poucas unidades congeladas a cada tentativa nas técnicas tradicionais.

Outra vantagem da criopreservação do tecido ovariano é a agilidade do procedimento, que é simples e rápido, sem exigir múltiplas etapas. Isso o torna uma opção viável mesmo para mulheres que precisam iniciar tratamentos oncológicos urgentes. Além disso, é uma alternativa importante para aquelas que não podem passar pela indução hormonal para a coleta de óvulos também por motivos de saúde.

A criopreservação do tecido ovariano é igualmente vantajosa para jovens, como meninas na pré-puberdade, que ainda não possuem óvulos maduros para congelamento, permitindo a preservação da fertilidade mesmo antes da maturação ovariana. Assim, a preservação do tecido ovariano garante que elas tenham a possibilidade de engravidar mais tarde, quando estiverem prontas, mesmo sem a maturação dos óvulos ainda ocorrendo.

Outra vantagem é a possibilidade de utilização do tecido criopreservado após a menopausa para manter a produção de hormônios depois da parada do funcionamento dos ovários.

Há riscos na criopreservação do tecido ovariano?

Embora a criopreservação do tecido ovariano seja considerada uma técnica segura, como qualquer procedimento médico, ela envolve alguns riscos e potenciais complicações, que devem ser cuidadosamente avaliados antes da decisão. Entre os principais riscos estão:

  • Complicações da laparoscopia: há o baixo risco de infecção, sangramento, lesões nos órgãos próximos e reações adversas à anestesia.
  • Falha no reimplante: a reimplantação pode não resultar na recuperação da função ovariana ou não se revascularizar adequadamente, impedindo a produção de hormônios ou óvulos.
  • Desenvolvimento de cistos ovarianos: formação de cistos ou outros distúrbios ovarianos com a reimplantação.
  • Problemas na maturação dos óvulos: óvulos imaturos presentes no tecido podem não se desenvolver adequadamente após o reimplante.

Além disso, a criopreservação do tecido ovariano não é recomendada para mulheres com cânceres hematológicos, como leucemia ou linfoma, nem para aquelas diagnosticadas com câncer de ovário, devido ao risco de o tecido congelado conter células cancerígenas. Caso esse tecido seja reimplantado, há a possibilidade de as células malignas se desenvolverem novamente, aumentando o risco de recorrência do câncer.

Se está considerando a preservação da fertilidade, entre em contato para saber mais sobre o congelamento de tecido ovariano.

 

Fontes:

Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)

Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA)