Fale conosco pelo WhatsApp

Autor

ProFaM

Data

02 maio, 2025

Doença é uma das principais causas que levam à dificuldade em engravidar

O endométrio é o tecido que reveste o útero. A endometriose, por sua vez, é uma doença inflamatória caracterizada pelo crescimento do endométrio fora desse órgão, podendo atingir bexiga, ovários e intestino. Ela causa sintomas como cólicas menstruais intensas, dores durante a relação sexual (dispareunia), dificuldade de engravidar e dores ao urinar ou ao evacuar. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva estima que uma em cada dez mulheres sofre com a doença.

Quem tem a condição certamente já se perguntou se existe relação entre endometriose e infertilidade. Para obter essa resposta, acompanhe a leitura!

Causas e fatores de risco da endometriose

As causas da endometriose ainda não são totalmente claras, entretanto especialistas apontam algumas possibilidades, como:

  • Menstruação retrógrada: quando parte do sangue menstrual flui de volta através das tubas uterinas para a cavidade pélvica.
  • Fatores imunológicos: inúmeras alterações imunológicas no ambiente peritoneal de mulheres com endometriose já foram descritas. Entretanto, ainda não se sabe se estas alterações são responsáveis pela origem da doença ou se são consequência do processo inflamatório gerado.
  • Metaplasia celômica: essa teoria descreve a transformação de células pluripotentes que revestem a cavidade pélvica em células endometriais.
  • Células-tronco: essa teoria acredita que células-tronco presentes no endométrio seriam as precursoras do tecido endometrial ectópico.

Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da endometriose, destacam-se:

  • Ter mãe ou irmã com endometriose;
  • Malformações uterinas;
  • Menstruação precoce (antes dos 11 anos);
  • Períodos menstruais mais curtos (com menos de 27 dias, em média);
  • Períodos menstruais intensos, com duração superior a 7 dias.

Como diagnosticar a endometriose?

O diagnóstico é feito por meio de uma avaliação médica detalhada, com análise dos sintomas, do histórico de saúde da mulher e histórico familiar.

Exames de imagem, como a ressonância magnética ou a ultrassonografia especializada, não ajudam no diagnóstico — por vezes, atrapalham, visto que nos estágios iniciais podem ter resultados normais. Exames de imagem são fundamentais após o diagnóstico clínico, para realizar o mapeamento da pelve e saber quanta endometriose tem e onde ela está, para a correta programação terapêutica.

A laparoscopia já não tem papel no diagnóstico da doença, mas sim no tratamento cirúrgico quando necessário.

Qual a relação entre endometriose e infertilidade?

A seguir, veja os principais pontos que relacionam as duas condições.

Endometriose e infertilidade: o que você precisa saber

Um dos impactos mais sensíveis da endometriose é na fertilidade feminina. Estima-se que até 50% das mulheres com endometriose possam ter dificuldade para engravidar. Mas por que isso acontece?

Como a endometriose pode dificultar a gravidez?

A dificuldade para engravidar pode ter várias causas nas mulheres com endometriose, entre elas:

  • Inflamação crônica na pelve, que prejudica o ambiente necessário para a fecundação.
  • Aderências (cicatrizes internas) que alteram a anatomia das trompas e ovários, dificultando o encontro do óvulo com o espermatozoide.
  • Alterações na qualidade dos óvulos, devido ao estresse inflamatório.
  • Problemas de ovulação, em alguns casos.
  • Imunidade alterada, que pode atacar os embriões nos estágios iniciais.

Toda mulher com endometriose será infértil?

Não. Muitas mulheres com endometriose conseguem engravidar naturalmente, principalmente nos casos leves. A gravidade da doença, o tempo de tentativa, a idade da mulher e outros fatores também influenciam. Cada caso é único e merece avaliação individualizada.

Existem tratamentos?

Sim. As opções vão desde o acompanhamento clínico com planejamento natural até tratamentos como cirurgia laparoscópica para remover os focos da doença e técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), especialmente nos casos mais avançados ou em mulheres com mais idade.

❤️ Uma mensagem importante:

A endometriose pode ser desafiadora, mas não é sinônimo de infertilidade definitiva. Com orientação médica adequada, muitas mulheres realizam o sonho de ser mãe. O mais importante é buscar diagnóstico precoce e apoio especializado.

Como preservar a fertilidade?

Quando uma mulher é diagnosticada com endometriose e pretende engravidar no futuro, é recomendado realizar um tratamento para preservar a fertilidade. Assim, quando ela decidir engravidar, seus óvulos terão um nível de qualidade que permite uma gestação de sucesso. A preservação da fertilidade é realizada evitando que a doença progrida. Isto pode se dar por meio do bloqueio da ovulação ou, em alguns casos, pela indicação de cirurgia. Além da medicação para evitar que a doença avance, a preservação do tecido ovariano deve ser discutida.

Congelamento do tecido ovariano

O congelamento do tecido ovariano é um procedimento para remover, congelar e armazenar o tecido ovariano com o intuito de preservar a fertilidade no futuro. Nesse procedimento, parte do ovário que contém os óvulos é separada do restante do órgão. Então, seu tecido é congelado e armazenado por tempo indeterminado.

Quando a mulher estiver pronta para tentar engravidar, mesmo sendo diagnosticada com endometriose e infertilidade, o tecido é descongelado e colocado de volta no corpo – no ovário restante ou perto de onde foi removido.

Onde realizar o congelamento do tecido ovariano?

O congelamento do tecido ovariano deve ser feito por profissionais experientes e capacitados nessa técnica para que, no futuro, as chances de uma gravidez de sucesso sejam maiores.

A ProfaM conta com especialistas, infraestrutura moderna e equipamentos de última tecnologia para a realização de tratamentos de preservação da fertilidade, como o congelamento de tecido ovariano.

 

Fontes:

Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA)

Johns Hopkins Medicine

Ministério da Saúde

Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva