Saiba como esta técnica pode auxiliar na preservação da fertilidade
A capacidade reprodutiva feminina é limitada por fatores biológicos que levam ao declínio progressivo da reserva ovariana, em especial, após os 35 anos. Nas últimas décadas, avanços na medicina reprodutiva permitiram o desenvolvimento de técnicas que visam preservar a função gonadal, entre elas a criopreservação do tecido ovariano.
O texto a seguir destaca como essa técnica pode contribuir para a longevidade ovariana.
Índice
O que significa longevidade ovariana?
A longevidade ovariana se refere ao prolongamento da capacidade funcional dos ovários, incluindo a manutenção da reserva folicular, da produção hormonal e do potencial reprodutivo ao longo do tempo. Diferentemente de outros órgãos, os ovários exibem uma taxa acelerada de envelhecimento, caracterizada por declínios graduais na quantidade e qualidade dos folículos ovarianos desde o nascimento.
Esse processo acelerado faz com que o envelhecimento ovariano seja considerado o “marcapasso” do envelhecimento do corpo feminino, influenciando e impulsionando o envelhecimento de múltiplos sistemas orgânicos, como cardiovascular, ósseo e metabólico.
O que é a criopreservação do tecido ovariano?
A criopreservação do tecido ovariano envolve a remoção laparoscópica do ovário inteiro ou de camadas da porção externa, que contém óvulos imaturos e dormentes (folículos primordiais).
Após o congelamento a uma temperatura de 196º negativos, o tecido é armazenado e, futuramente, reimplantado na paciente, restabelecendo a função ovariana em aproximadamente três meses. Estudos indicam que, com a melhoria das técnicas de congelamento e transplante, é possível atingir taxas de sobrevivência de até 80% dos folículos.
Como a criopreservação do tecido ovariano prolonga a longevidade ovariana?
O prolongamento da longevidade ovariana por meio do congelamento do tecido ovariano é possível a partir do momento em que esse tecido é reimplantado na mulher e retoma sua atividade fisiológica. O tecido reimplantado pode:
- Reativar a função endócrina, restabelecendo a produção natural de hormônios ovarianos;
- Retomar o desenvolvimento folicular, permitindo a recuperação do potencial reprodutivo;
- Aumentar o tempo funcional do ovário, postergando os efeitos da insuficiência ovariana precoce ou do envelhecimento fisiológico.
A técnica restaura integralmente a função endócrina ovariana, reativando o eixo hormonal feminino e permitindo o retorno de ciclos menstruais com níveis fisiológicos de hormônios essenciais. Dessa forma, o procedimento não apenas protege a fertilidade, mas também contribui para prolongar a longevidade ovariana e seus efeitos na saúde da mulher.
Quando o procedimento para longevidade ovariana é indicado?
Nos últimos anos, a criopreservação e o transplante de tecido ovariano têm se consolidado como um método eficaz para preservar a fertilidade em pacientes que serão submetidas a tratamentos médicos que possam danificar a função ovariana, como a quimioterapia ou radioterapia.
No entanto, a técnica também pode ser uma opção para mulheres com risco de insuficiência ovariana prematura, incluindo causas genéticas ou autoimunes; pacientes que desejam preservar a fertilidade antes de intervenções cirúrgicas que possam comprometer os ovários, como no caso de cirurgias para tratamento de endometriose; e indivíduos em transição de gênero que buscam preservar os gametas ou a função reprodutiva antes de terapias hormonais.
Além desses cenários citados, mulheres que querem engravidar em idade mais avançada podem ser beneficiadas com o congelamento de tecido ovariano ao aumentar a longevidade ovariana.
Quais os benefícios da criopreservação do tecido ovariano?
São vários os benefícios que a técnica pode proporcionar, em diferentes situações, com destaque para:
- Preservação da fertilidade por meio da manutenção de folículos primordiais viáveis;
- Restabelecimento da função hormonal após o reimplante, com impacto positivo na saúde feminina de maneira ampla;
- Possibilidade de gestação espontânea sem necessidade imediata de técnicas de reprodução assistida;
- Preservação da fertilidade em meninas que ainda não apresentam maturidade folicular e que serão submetidas a tratamentos oncológicos;
- Procedimento minimamente invasivo, pois a retirada do tecido é feita por laparoscopia, técnica menos agressiva, com menor dor, rápida recuperação e menor risco de complicações;
- Preservação de grande quantidade de óvulos. A técnica permite que seja armazenado um número elevado de folículos em um único procedimento, sem necessidade de estimulação hormonal, sendo especialmente vantajosa em pacientes jovens ou com baixa reserva ovariana;
- Procedimento rápido, permitindo preservação em situações emergenciais, como nos casos em que a mulher precisa se submeter a um tratamento oncológico com urgência e não tem tempo hábil para realizar outros tratamentos, como o congelamento de óvulos.
Longevidade ovariana com criopreservação do tecido ovariano: onde realizar?
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Fontes:
