Saiba como o tratamento pode impactar a fertilidade e o que fazer
A quimioterapia é um dos principais tratamentos utilizados para combater o câncer. Os medicamentos podem ser administrados por via oral, subcutânea, intravenosa, intramuscular ou intratecal, com o objetivo de destruir as células cancerosas. Porém, como esses medicamentos caem na corrente sanguínea, podem, também, destruir as células saudáveis do organismo, causando vários efeitos colaterais ou danos a alguns órgãos.
Dependendo do tipo de câncer tratado, um dos efeitos adversos do tratamento é a suspensão da atividade dos ovários, que pode ser temporária ou permanente.
Para saber mais sobre a relação entre quimioterapia e fertilidade, acompanhe a leitura!
Índice
Quimioterapia e fertilidade: qual a relação?
Quando uma pessoa é diagnosticada com câncer, o foco geralmente está no tratamento imediato e na recuperação. No entanto, é importante pensar nos efeitos a longo prazo tanto da doença quanto da quimioterapia na fertilidade.
A relação entre quimioterapia e fertilidade deve ser considerada em mulheres que tiveram diagnóstico da doença em idade fértil, pois o tratamento pode afetar significativamente os órgãos reprodutivos, impactando a capacidade de ter filhos no futuro.
A quimioterapia tem como alvo destruir as células cancerígenas, mas ela também pode destruir as células saudáveis, como as germinativas (óvulos e espermatozoides).
Esse dano pode tanto afetar a capacidade dos ovários ou dos testículos de produzir óvulos ou espermatozoides viáveis após o tratamento do câncer quanto impactar a produção de hormônios envolvidos na fertilidade.
Fatores que influenciam os efeitos da quimioterapia na fertilidade
No tratamento de quimioterapia, a fertilidade futura depende de vários fatores, como:
- Tipo e dose da medicação: alguns medicamentos quimioterápicos são mais tóxicos para os ovários do que outros e a dose também pode impactar menos ou mais a fertilidade (quanto mais altas as doses, maiores as chances de o tratamento afetar a fertilidade).
- Idade: a relação entre quimioterapia e fertilidade pode ser observada na redução da reserva ovariana, que naturalmente entra em declínio conforme a mulher envelhece, fator este agravado pela quimioterapia.
- Tempo de tratamento: o tempo de tratamento quimioterápico também pode influenciar a extensão do dano à fertilidade. Quanto mais duradouro, maiores os riscos.
Preservação da fertilidade durante a quimioterapia
Quem recebe o diagnóstico de câncer e pretende ter filhos precisa considerar a relação entre quimioterapia e fertilidade, como vimos. Porém, existem tratamentos que podem ajudar na preservação da fertilidade para que, quando a paciente estiver curada, possa pensar em uma gestação.
O ideal é que os tratamentos sejam feitos antes de iniciada a quimioterapia. No entanto, há casos urgentes, que não podem esperar, por isso é importante conversar com o oncologista e com um especialista em reprodução assistida para que eles apresentem as melhores opções para equilibrar, da melhor maneira, a quimioterapia e a fertilidade.
Entre os tratamentos que podem ser indicados, destaca-se o de congelamento do tecido ovariano.
Como o congelamento do tecido ovariano pode ajudar?
O congelamento de tecido ovariano é um tratamento no qual, por meio de uma cirurgia minimamente invasiva, uma amostra de tecido ovariano – a que contém os folículos (estruturas que abrigam os óvulos) – é removida, congelada e armazenada para uso futuro. O tecido é colocado de volta, caso os ovários parem de funcionar, assim que o tratamento do câncer terminar.
Se o ovário começar a funcionar, pode produzir óvulos e, portanto, existe a possibilidade de uma gestação natural. O congelamento de tecido ovariano pode ser uma alternativa para pacientes que não podem passar pelo tratamento hormonal para induzir a ovulação, o que é necessário ao optar pelo congelamento de óvulos, por exemplo.
Planejamento familiar e saúde reprodutiva pós-câncer
É importante não engravidar durante a quimioterapia, pois muitos medicamentos quimioterápicos podem prejudicar o feto, levando a defeitos congênitos e abortos espontâneos.
A relação entre quimioterapia e fertilidade deve ser vista com atenção quando a mulher tem o desejo de engravidar após o tratamento oncológico. Mulheres que têm períodos menstruais regulares após o tratamento do câncer têm mais chances de não ter a fertilidade impactada. Porém, menstruar nem sempre significa que uma gestação é possível.
Para algumas pacientes, o tratamento do câncer interrompe os períodos menstruais permanentemente, condição chamada de menopausa precoce, causando infertilidade.
Após o término do tratamento oncológico, recomenda-se aguardar entre seis meses a dois anos para tentar engravidar. Isso vale tanto para quem pretende engravidar naturalmente como para quem irá realizar algum tratamento de reprodução assistida. Esse prazo é dado pelos especialistas, pois nesse período existe chance de o câncer voltar.
Fontes:
