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O que é

O congelamento do tecido ovariano é um procedimento de preservação da fertilidade que envolve a remoção e armazenamento de fragmentos de tecido ovariano para uso futuro. Este tecido contém folículos que podem ser utilizados para restaurar a função ovariana e a fertilidade. Estudos científicos demonstram a eficácia e segurança desta técnica, com taxas de sucesso significativas em termos de restauração da função ovariana e nascimentos vivos após transplante​.

Indicações

Pacientes Oncológicos

Mulheres que necessitam de tratamentos gonadotóxicos que podem comprometer a função ovariana, como quimioterapia e radioterapia.

Transgêneros

Pessoas que estão passando pela transição de gênero e desejam preservar a sua fertilidade antes de iniciar tratamentos hormonais ou cirurgias.

Síndrome de Turner

Pacientes com insuficiência ovariana prematura.

Condições benignas

Casos de pacientes com endometriose ou outras condições ginecológicas que podem comprometer a fertilidade no futuro.

Mão com luva médica segurando tubo em cima de aparelho

Como é feito

O processo de congelamento de tecido ovariano envolve várias etapas cuidadosamente planejadas para garantir a máxima segurança e eficácia do procedimento.

  1. Avaliação inicial: antes do procedimento, a paciente passa por uma avaliação completa da reserva ovariana, que inclui uma ultrassonografia para contar os folículos antrais e testes de hormônio antimülleriano (AMH) e folículo-estimulante (FSH). Essa avaliação ajuda a determinar a melhor abordagem e a quantidade de tecido ovariano disponível para preservação.
  2. Preparação para a cirurgia: uma vez concluída a avaliação, a paciente é preparada para a cirurgia. A laparoscopia, um procedimento minimamente invasivo, é geralmente utilizada para a coleta do tecido ovariano. Essa técnica envolve pequenas incisões no abdômen, através das quais instrumentos cirúrgicos e uma câmera são inseridos.
  3. Remoção do tecido ovariano: durante a laparoscopia, o cirurgião remove cuidadosamente fragmentos do ovário. Isso é feito de forma a minimizar o impacto na função ovariana restante. O tecido coletado contém folículos, que são as unidades básicas que abrigam os óvulos.
  4. Processamento do tecido: os fragmentos de tecido ovariano são, então, processados em laboratório. Eles são cortados em tiras finas para aumentar a área de superfície e otimizar a criopreservação. Esse processamento é realizado em condições estéreis para garantir a integridade e a viabilidade do tecido.
  5. Criopreservação: as tiras de tecido processadas são submetidas ao processo de criopreservação, que envolve o uso de crioprotetores para proteger as células durante o congelamento. O tecido é, então, congelado por meio da técnica de congelamento lento em nitrogênio líquido a temperaturas extremamente baixas (-196°C), garantindo a preservação a longo prazo dos folículos. O congelamento lento é a técnica preferencial para congelamento de tecido ovariano devido ao fato de ele ser constituído por vários tipos de células diferentes, cuja permeabilidade difere dos crioprotetores.
  6. Armazenamento: o tecido ovariano congelado é armazenado no nosso banco de criopreservação, em tanques de nitrogênio líquido monitorados continuamente para assegurar condições ótimas de preservação. O tecido pode ser armazenado por vários anos (ou seja, até que a paciente esteja pronta para utilizá-lo).
  7. Reimplante futuro: quando a paciente decide utilizar o tecido preservado, ele é descongelado com cuidado e reimplantado na pelve através de uma cirurgia laparoscópica ou em região heterotópica (implante em tecido subcutâneo). O objetivo do reimplante é restaurar a função ovariana, permitindo a produção de hormônios e a ovulação natural.

Esse processo detalhado garante que o congelamento de tecido ovariano seja realizado de forma segura e eficaz, proporcionando à paciente a melhor chance de preservar a sua fertilidade e a sua saúde reprodutiva para o futuro.

Situações oportunísticas

Em algumas situações, o tecido ovariano pode ser coletado durante procedimentos cirúrgicos programados, como cirurgias laparoscópicas ou partos cesáreas, oferecendo uma oportunidade conveniente para preservação da fertilidade sem a necessidade de uma intervenção adicional​.

Situações não oportunísticas

Quando não há cirurgias programadas, o procedimento de remoção do tecido ovariano é agendado separadamente. Esta abordagem é utilizada principalmente em situações de emergência ou quando a preservação da fertilidade é uma prioridade antes de tratamentos médicos urgentes.

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Jornada da paciente

Consultório

Avaliação inicial e planejamento do procedimento.

Procedimento

Coleta do tecido ovariano através de cirurgia minimamente invasiva.

ProFaM

Armazenamento seguro e monitoramento contínuo do tecido preservado.

Benefícios x Riscos

O congelamento do tecido ovariano oferece uma série de benefícios significativos. Primeiramente, o procedimento não requer nenhuma medicação prévia, o que simplifica o processo e reduz o desconforto para a paciente. Apenas uma visita à clínica é necessária para a remoção do tecido, após a consulta inicial, e o momento da remoção pode ser ajustado para se adequar à conveniência da paciente. Além disso, centenas ou até milhares de óvulos são preservados no tecido armazenado, proporcionando uma abundância de oportunidades para futuras tentativas de concepção.

Outro benefício crucial é que o tecido pode ser utilizado tanto para a preservação da fertilidade quanto para a preservação hormonal, ajudando a retardar a menopausa. Isso significa que um único procedimento pode oferecer benefícios duplos, preservando a capacidade reprodutiva e ajudando a gerenciar os sintomas da menopausa. Estudos mostram que cerca de 50% das pacientes que realizaram o congelamento do tecido ovariano para preservação da fertilidade conceberam naturalmente após o autoenxerto, o que reduz a necessidade de fertilização in vitro (FIV). Dessa forma, o procedimento oferece múltiplas oportunidades para conceber, aumentando significativamente as chances de sucesso reprodutivo.

No entanto, como qualquer procedimento médico, o congelamento do tecido ovariano também apresenta riscos. As complicações cirúrgicas, embora raras, podem incluir infecção e sangramento. Existe também a incerteza sobre a viabilidade a longo prazo do tecido preservado, além das possíveis complicações associadas à criopreservação e ao descongelamento do tecido. Adicionalmente, pode ser necessária uma cirurgia adicional para reimplantar o tecido ovariano, o que implica em mais uma intervenção cirúrgica.

Estudos indicam que a taxa de sucesso do procedimento depende de vários fatores, incluindo a idade da paciente e a técnica de congelamento utilizada. É essencial que as pacientes sejam bem informadas sobre esses benefícios e riscos para que possam tomar decisões fundamentadas sobre sua saúde reprodutiva.