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Autor

Dr. Eduardo Schor

Data

13 abril, 2026

Conheça as opções disponíveis para quem deseja ter filhos após o diagnóstico oncológico

Entre os efeitos colaterais que os tratamentos oncológicos podem gerar está a infertilidade. Ao ser diagnosticada a doença em mulheres em idade fértil, uma das principais dúvidas que surgem é: como preservar a fertilidade no tratamento de câncer?

O texto a seguir aponta algumas opções. Acompanhe. 

Tipos de tratamentos oncológicos que podem levar à infertilidade

Alguns tratamentos afetam a fertilidade, danificando ou removendo órgãos reprodutivos. Por exemplo, o tratamento de câncer de colo do útero, útero ou ovário geralmente requer a remoção dos ovários, tubas uterinas e útero.

A radioterapia na região pélvica, utilizada para tratar câncer de cólon ou útero, pode causar danos permanentes aos ovários.

Além disso, algumas quimioterapias necessárias para o tratamento eficaz de diferentes tipos de câncer podem causar amenorreia (interrupção temporária ou permanente da menstruação), um indicador de danos aos óvulos nos ovários.

Algumas terapias hormonais usadas para tratar certos tipos de câncer também podem interferir no sistema reprodutivo, interrompendo o funcionamento dos ovários ou impossibilitando uma gravidez por anos.

Como preservar a fertilidade no tratamento de câncer? 

Os métodos para preservar a fertilidade no tratamento de câncer incluem congelamento de óvulos, de embriões ou de tecido ovariano. Tanto o congelamento de óvulos quanto o de embriões requerem estimulação hormonal para a coleta dos óvulos, o que geralmente leva de 10 a 14 dias, o que pode impedir a realização da técnica quando a mulher necessita iniciar o tratamento oncológico o mais rápido possível.

Outras opções para preservar a fertilidade no tratamento de câncer incluem ainda:

  • Ooforopexia: consiste na remoção cirúrgica de um ou ambos os ovários para fora do campo de radiação, a fim de preservar sua função;
  • Traquelectomia: consiste na remoção parcial ou total do colo do útero, da parte superior da vagina e dos gânglios linfáticos da pelve, preservando o útero, as tubas uterinas e os ovários;
  • Supressão dos ovários: um hormônio de ação prolongada chamado análogo do GnRH é administrado antes da quimioterapia para induzir uma menopausa temporária e proteger os óvulos de danos.

Os pacientes devem discutir as possibilidades para preservar a fertilidade no tratamento de câncer o mais cedo possível após o diagnóstico da doença.

Quanto tempo após o tratamento oncológico é possível engravidar? 

Após o término do tratamento oncológico é recomendado aguardar de seis meses a dois anos antes de tentar engravidar. Isso vale tanto para quem pretende engravidar naturalmente como para quem irá realizar algum tratamento de reprodução assistida, pois o câncer tem maior probabilidade de retornar nos primeiros anos, o que pode significar a necessidade de mais tratamento.

Se a concepção natural não for mais possível, existem outras opções para ter filhos, incluindo:

  • Fertilização in vitro com óvulos ou embriões previamente congelados;
  • Fertilização in vitro com óvulos ou embriões doados;
  • Gestação por útero de substituição (barriga solidária);
  • Adoção. 

Técnica de congelamento do tecido ovariano

Se esperar de duas a seis semanas antes de iniciar o tratamento contra o câncer não for uma opção, ou quando a mulher não pode se submeter à terapia hormonal para amadurecer os óvulos, uma das técnicas possíveis para preservar a fertilidade no tratamento de câncer é o congelamento de tecido ovariano.

Essa técnica para preservar a fertilidade no tratamento de câncer envolve a remoção total ou parcial de um ovário e seu congelamento. O ovário é removido cirurgicamente, geralmente por laparoscopia, uma cirurgia minimamente invasiva na qual um tubo fino e flexível, chamado laparoscópio, é inserido através de uma pequena incisão próxima ao umbigo. Com esse tubo, o cirurgião consegue alcançar e examinar a região pélvica.

Após a remoção, o tecido ovariano é cortado em pequenas tiras, congelado e armazenado. Finalizado o tratamento do câncer, o tecido ovariano pode ser descongelado e reimplantado no corpo, seja em um ovário remanescente ou próximo ao local de onde o ovário foi retirado antes do tratamento. Assim que o tecido ovariano voltar a funcionar, a mulher poderá engravidar naturalmente ou, caso isso não seja possível, por meio de técnicas de reprodução assistida como a fertilização in vitro (FIV). 

Quando o congelamento do tecido ovariano é indicado?

O congelamento do tecido ovariano é indicado principalmente quando o início do tratamento oncológico é urgente e não há tempo para realizar a estimulação ovariana ou quando a mulher não pode ou não deseja fazer uso de hormônios. Também é a principal opção para meninas pré-púberes, que ainda não produzem óvulos maduros. 

Onde realizar o congelamento do tecido ovariano? 

O congelamento do tecido ovariano deve ser realizado em centros especializados em reprodução humana, que possuam equipe qualificada e estrutura laboratorial adequada para criopreservação.

A ProfaM é uma organização global dedicada à preservação da fertilidade e ao atraso da menopausa, cuidando da saúde da mulher para garantir mais qualidade de vida e longevidade saudável.

Se você foi diagnosticada com a doença e deseja preservar a fertilidade no tratamento de câncer, converse com um de nossos especialistas para ajudá-la a entender suas opções.

Fontes 

Harvard Medical School

Mayo Clinic

ProfaM