O congelamento do tecido ovariano pode ser uma estratégia para preservar a fertilidade de meninas e mulheres com Síndrome de Turner, especialmente quando realizado antes da perda da função ovariana
O congelamento do tecido ovariano para Síndrome de Turner é uma alternativa que vem ampliando as possibilidades de preservação da fertilidade em pacientes com essa condição genética.
Isso porque a Síndrome de Turner é uma alteração cromossômica que afeta meninas e mulheres e ocorre quando um dos cromossomos X está ausente total ou parcialmente. Entre suas características está a perda precoce da função ovariana, que pode comprometer a fertilidade ainda na infância ou adolescência.
Embora nem todas as pacientes com Síndrome de Turner sejam candidatas ao procedimento, a avaliação precoce permite identificar aquelas que ainda possuem folículos ovarianos e podem se beneficiar da preservação da fertilidade.
Índice
O que é o congelamento do tecido ovariano?
O congelamento do tecido ovariano para Síndrome de Turner é uma técnica de preservação da fertilidade que consiste na retirada de uma pequena porção do córtex do ovário, região que concentra a maior parte dos folículos ovarianos.
Após a coleta, esse tecido é preparado em laboratório e armazenado em temperaturas extremamente baixas por meio da criopreservação. Dessa forma, os folículos permanecem preservados para um possível uso futuro.
Diferentemente do congelamento de óvulos, essa técnica não depende de estimulação hormonal nem da maturidade dos óvulos, podendo ser realizada inclusive em meninas antes da puberdade, quando houver indicação médica.
Além da preservação da fertilidade, o reimplante do tecido pode contribuir para restaurar temporariamente a função hormonal dos ovários em algumas pacientes.
Por que ela é indicada para mulheres com Síndrome de Turner?
A principal razão para indicar o congelamento do tecido ovariano para Síndrome de Turner é a elevada probabilidade de perda precoce da função ovariana.
Na maioria das pacientes, os folículos ovarianos diminuem progressivamente desde os primeiros anos de vida. Em muitos casos, essa redução ocorre antes mesmo da idade adulta, limitando as possibilidades de gestação com os próprios óvulos.
No entanto, a velocidade dessa perda varia conforme o tipo da síndrome. Mulheres com mosaicismo, por exemplo, podem manter parte da função ovariana por mais tempo, aumentando a possibilidade de realizar a preservação da fertilidade quando avaliadas precocemente.
Por isso, o acompanhamento com uma equipe especializada é fundamental para monitorar a reserva ovariana e definir o momento mais adequado para considerar o procedimento.
Como é feito o congelamento do tecido ovariano para mulheres com Síndrome de Turner?
O congelamento do tecido ovariano para Síndrome de Turner é realizado por meio de uma videolaparoscopia, cirurgia minimamente invasiva que permite retirar cuidadosamente uma pequena porção do córtex ovariano.
Após a coleta, o tecido é encaminhado para um laboratório especializado, onde passa por um rigoroso processo de preparo e criopreservação. Durante esse processo, técnicas específicas protegem as células contra danos provocados pelo congelamento, permitindo seu armazenamento por longos períodos.
Antes da indicação do procedimento, a paciente passa por uma avaliação detalhada, que inclui exames para analisar a reserva ovariana, a presença de folículos e as condições clínicas gerais. Como nem todas as mulheres com Síndrome de Turner apresentam tecido ovariano funcional, essa etapa é essencial para avaliar as chances de sucesso da preservação.
O acompanhamento também envolve uma equipe multidisciplinar, considerando não apenas a fertilidade, mas outros aspectos da saúde frequentemente relacionados à síndrome.
Quando o tecido ovariano pode ser reimplantado?
O tecido preservado poderá ser reimplantado quando houver indicação médica e a paciente desejar restaurar a função ovariana ou buscar uma gestação.
O procedimento consiste em descongelar o tecido e reimplantá-lo no organismo, geralmente próximo ao ovário ou em outra região adequada da pelve. Quando o enxerto se integra ao organismo, ele pode voltar a produzir hormônios e permitir o desenvolvimento de folículos.
É importante destacar que o sucesso do congelamento do tecido ovariano para Síndrome de Turner depende de diversos fatores, como a quantidade e a qualidade dos folículos preservados no momento da coleta, a idade da paciente e as características individuais da síndrome.
Por isso, quanto mais cedo for realizada a avaliação por uma equipe especializada, maiores são as possibilidades de identificar o momento ideal para a preservação da fertilidade e ampliar as opções reprodutivas no futuro.
Para saber mais sobre congelamento do tecido ovariano para Síndrome de Turner, entre em contato com a ProFaM.
Fontes:
PubMed;
Manual MSD;
ProFaM.
