Fale conosco pelo WhatsApp

Autor

Dr. Eduardo Schor

Data

15 agosto, 2026

Embora possam causar sintomas semelhantes, endometriose e adenomiose são doenças diferentes. Entender suas características é essencial para um diagnóstico precoce e para o planejamento da fertilidade

É comum que muitas mulheres confundam endometriose e adenomiose, já que ambas são doenças ginecológicas relacionadas ao tecido que reveste o útero e podem provocar cólicas intensas, dor pélvica e alterações menstruais. Apesar das semelhanças, elas apresentam causas, localização e impactos distintos na saúde feminina.

Saber diferenciar essas condições é importante para definir o tratamento mais adequado e avaliar possíveis repercussões na fertilidade. Em alguns casos, inclusive, a mulher pode apresentar endometriose e adenomiose ao mesmo tempo, o que exige um acompanhamento especializado.

Neste artigo, você entenderá o que caracteriza cada doença, quais são suas principais diferenças, como elas podem afetar a fertilidade e de que forma a preservação da fertilidade pode ser uma alternativa para mulheres que desejam engravidar no futuro.

O que são endometriose e adenomiose?

A endometriose é uma doença em que um tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Esses focos podem se desenvolver nos ovários, trompas, peritônio, intestino, bexiga e em outras estruturas da pelve, desencadeando inflamação, dor e, em alguns casos, infertilidade.

Já a adenomiose ocorre quando esse tecido semelhante ao endométrio invade a camada muscular do útero, chamada miométrio. Como consequência, o útero pode aumentar de tamanho e provocar cólicas intensas, sangramento menstrual abundante e dor pélvica.

Embora sejam doenças diferentes, endometriose e adenomiose compartilham mecanismos hormonais e inflamatórios semelhantes, além de sintomas que muitas vezes dificultam o diagnóstico apenas pela avaliação clínica.

Quais as diferenças entre endometriose e adenomiose?

A principal diferença entre endometriose e adenomiose está na localização do tecido semelhante ao endométrio.

Na endometriose, esse tecido cresce fora do útero, podendo atingir diversos órgãos da pelve. Já na adenomiose, ele permanece no útero, infiltrando sua parede muscular.

Além da localização, existem outras diferenças importantes:

  • Local da doença: a endometriose acomete órgãos fora do útero; a adenomiose afeta exclusivamente o músculo uterino;
  • Sintomas predominantes: ambas podem causar cólicas intensas, mas a adenomiose costuma estar mais associada ao aumento do fluxo menstrual e ao crescimento do útero;
  • Complicações: a endometriose está frequentemente relacionada à formação de aderências e endometriomas, enquanto a adenomiose pode alterar a estrutura do útero;
  • Tratamento: varia conforme os sintomas, a idade da paciente e o desejo de engravidar, podendo incluir medicamentos, cirurgia ou técnicas de preservação da fertilidade.

Como os sintomas podem ser parecidos, exames de imagem, como ultrassonografia especializada e ressonância magnética, são fundamentais para diferenciar endometriose e adenomiose e orientar o tratamento.

Qual é mais perigosa: endometriose ou adenomiose?

Não existe uma doença que seja considerada mais perigosa de forma geral. Tanto endometriose e adenomiose podem comprometer significativamente a qualidade de vida quando não recebem diagnóstico e tratamento adequados.

A gravidade depende da extensão da doença, dos sintomas apresentados e dos impactos sobre a saúde reprodutiva. Enquanto algumas mulheres apresentam formas leves e poucos sintomas, outras convivem com dores intensas, alterações menstruais importantes e dificuldade para engravidar.

Por isso, mais importante do que comparar endometriose e adenomiose é buscar avaliação médica sempre que houver sintomas persistentes, permitindo um tratamento individualizado e precoce.

A endometriose e adenomiose afetam a fertilidade?

Sim. Tanto endometriose e adenomiose podem afetar a fertilidade, embora por mecanismos diferentes.

Na endometriose, a inflamação crônica pode prejudicar a qualidade dos óvulos, alterar o funcionamento das trompas, favorecer a formação de aderências e reduzir a reserva ovariana, especialmente quando há endometriomas ou necessidade de cirurgias ovarianas.

Na adenomiose, as alterações na estrutura do útero podem dificultar a implantação do embrião e aumentar o risco de complicações gestacionais em algumas pacientes.

Isso não significa que mulheres com endometriose e adenomiose não possam engravidar. Muitas conseguem uma gestação espontânea ou com auxílio da reprodução assistida. No entanto, quando há desejo de maternidade futura, o planejamento reprodutivo torna-se ainda mais importante.

O congelamento do tecido ovariano como aliado de quem tem endometriose e adenomiose

Para mulheres diagnosticadas com endometriose e adenomiose, preservar a fertilidade pode ser uma decisão importante, principalmente quando existe risco de redução da função ovariana em decorrência da evolução da doença ou de tratamentos cirúrgicos.

Uma das estratégias disponíveis é o congelamento do tecido ovariano, técnica que consiste na retirada e criopreservação de parte do córtex do ovário, região que concentra a maior parte dos folículos ovarianos.

No futuro, esse tecido poderá ser reimplantado para restaurar a função ovariana e ampliar as possibilidades reprodutivas da paciente, conforme avaliação médica.

Como funciona a preservação da fertilidade por meio do congelamento do tecido ovariano?

O procedimento é realizado por videolaparoscopia, uma cirurgia minimamente invasiva utilizada para retirar uma pequena porção do tecido ovariano.

Após a coleta, o material é encaminhado para um laboratório especializado, onde passa por um processo de criopreservação em temperaturas extremamente baixas, permanecendo armazenado até o momento em que a paciente desejar utilizá-lo.

Quando houver indicação, o tecido poderá ser descongelado e reimplantado, permitindo que o ovário volte a exercer sua função hormonal e reprodutiva. Para mulheres com endometriose e adenomiose, essa estratégia pode representar uma importante forma de preservar o potencial reprodutivo antes que a doença evolua ou que intervenções cirúrgicas comprometam a reserva ovariana.

Conheça a ProFaM

A ProFaM é uma organização global dedicada à preservação da fertilidade e ao atraso da menopausa, promovendo mais qualidade de vida e longevidade saudável para as mulheres. Seu trabalho une inovação, conhecimento científico e atendimento especializado para oferecer soluções personalizadas em diferentes momentos da vida reprodutiva.

Para mulheres com endometriose e adenomiose, a ProFaM oferece acompanhamento individualizado e orientações sobre estratégias de preservação da fertilidade, como o congelamento do tecido ovariano. Assim, cada paciente pode planejar seu futuro reprodutivo com mais segurança, autonomia e acesso às opções mais adequadas para sua realidade.

Entre em contato e saiba mais.

Fontes:

National Institutes of Health;

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).